Identidades culturais

A cultura invade a nossa identidade e as múltiplas fontes de nossas raízes

A cultura condiciona e influencia nossos sentimentos, nossos pensamentos, nosso comportamento, embora permaneça amplamente inconsciente. Tanto é que, para descobri-la, precisamos de estar em contato com indivíduos provenientes de uma cultura diferente.

Mas, se o outro revela a nossa própria cultura, o desafio está em poder se comunicar e se aceitar, apesar de nossas diferenças.

Em meio a essa aventura humana, a Recursimo apresenta uma reflexão que considera cada cultura como um ser pleno de vida, que nasce, que se desenvolve no seio de suas origens mais íntimas, que cria um corpo com raízes fortemente arraigadas a seu território,que tem uma história legível do ponto de vista sociológico, psicológico, antropológico.

Essa abordagem inovadora nos permite de compreender a psicologia cultural de organizações e países, e abre espaço para uma visão acessível, próxima e dinâmica das diferentes culturas existentes. Ela nos convida a uma aproximação de uma perspectiva oriunda da compreensão das inúmeras etapas de desenvolvimento de uma nação.

A PSICOLOGIA CULTURAL COM A PSICOSOCIONOMIA

Quando nós adotamos a maneira de pensar dos psicossociónomos[1], a cultura de um país acaba por ser  um conjunto de características que nos introduzem aos códigos sociais, aos ritos, aos símbolos e aos valores de uma sociedade.

Os psicossociónomos partem da constatação de que uma sociedade é concebida no nascimento de um país, que ela nasceu de seus pais fundadores, que ela passou por eventos marcantes, criando e amando seus heróis, tudo como aconteceria com um indivíduo.

Esses especialistas analisam uma nação como se fosse uma pessoa e assim, a noção de cultura torna-se viva e dinâmica: uma sociedade passa por etapas de desenvolvimento…ela termina a infância, atravessa uma fase em que busca por sua identidade, como se faz na adolescência, chega à maturidade e inicia seu período de declínio.

Os psicossociónomos igualmente supõem que uma sociedade teria, como uma pessoa, um inconsciente. E aqui as coisas são mais interessantes.

O inconsciente de uma criança é impregnado por seus pais e por sua vivência durante a infância no seio de criação de sua família. Se nós fizermos uma analogia, o inconsciente de uma sociedade é impregnado pelo espírito de seus pais fundadores e por seus grandes momentos históricos. Como uma pessoa, essa sociedade teve sentimentos e emoções e adotou um certo tipo de comportamento inconsciente nascido dessas experiências.

Outra característica desse inconsciente chama-se a compulsão da repetição.

Em outros termos, nosso inconsciente irá nos impelir a reproduzir e recolocar em evidência as situações difíceis de nossa infância, na esperança absurda de resolvê-los enquanto adulto.

Nós então podemos nos perguntar a seguinte questão:

O que uma sociedade repete inconscientemente, proveniente do seu passado, que remonta aos seus pais fundadores?

O aspecto psicosocioeconômico abre caminhos para que possamos desvendar os grandes enigmas que permeiam a essência de uma cultura.